Bar do Justo


O Estomatologista Acidental

Recuperando a memória de José Sebastião da Silva, dito o Cô por uns e Sabastião pelos amigos, vem-me à luz uma conversa a que assisti junto com um amigo.

Podia ter sido coisa de teatro de revista, mas passou-se na Secretaria do Clube.

O Baptista entrou a arfar, carregando o peso de 90 kilos trazidos escada acima. Vai o Cô e virou-se para um terceiro que ali estava presente:
- Calha bem ter aparecido o Baptista. Se há gajo que percebe destas coisas, é ele.

O outro (de quem esconderemos o nome por razões que se tornarão óbvias) encolheu os ombros, enquanto contava fichas médicas de jogadores da bola. Então o Cô retornou:
- Epá, sabes qu'este gajo agora apareceu-lhe uma fistúla numa engive. Anda p'aí cheio de dores e nem sabe o que fazer.

Então o Baptista, que primava por conseguir meter asneiras num Pai Nosso, arvorou-se de dentista e largou de primeira:
- É parar co'os broches. Se o gajo deixar de fazer broches, não lhe aparecem essas merdas na boca.

Na mesa coberta com um calendário de cartão riscado, o outro parou de contar fichas médicas. Mas conta a história que com os maus hábitos ele nunca pararia.

E nada mais digo.



Sebastião Cô

O Sebastião Cô não sei se vem do tempo da fundação do Vitória mas passa de certeza pelo da brilhantina no cabelo. Se falei com o Cô - pelo menos que me lembre - já não me lembro. Nem sei se ele alguma vez terá sabido quem diabo era eu. Mas a verdade é que eu sei uma história do Cô. Quem ma contou foi o Ruizinho da Júlia - esse pobre diabo que à partida e depois tinha o suficiente para poder hoje escrever um blogo, e ao fim e ao cabo deu na desgraça que se sabe. Quem lhe a ele contou esta história foi o sr. Alberto, o pai.
O Cô, como já disse, vem do tempo da brilhantina, e já agora do Petróleo Olex. Vós que guardais certamente melhor memória dele que eu heis-de vos lembrar daquele cabelinho sempre coladinho à cabeça; alguma vez o vistes sem aquele penteado pipi? Pois bem parece que o Cô em novo não tinha muita massa para abrilhantar o cabelo com produtos de drogaria barata. Mesmo sem brilhantina para o cabelo o Cô tinha ideias brilhantes: usar óleo da frigideira. Não tinha nada que saber: fritava o peixe e ao depois ainda aproveitava o óleo para alindar o penteado (maximização de recursos, chamar-lhe-iam agora). Foi um êxito: produto resultava resultava tão limpinho como se fora brilhantina. Nem o cheiro se notava por aí além. Até que um dia um dos lá do Vitória descobriu um olho de peixe no penteado dândi do Cô.


O Google anda estranho. Do Sebastião Cô há outros textos e até uma fotografia na Internete (essa que vedes aí, subtraída dum blogo qualquer - o Cô é o da esquerda) e o melhor que sai da busca é isto...
Será que usam óleo de peixe na máquina de co-incinerar?

Postal de Natal pagão.


Escola primária da Picheleira [vista do campo do Vitória], Lisboa, 1956.
Armando Serôdio, Arquivo Fotográfico da C.M.L..

tenho de me continuar a chatear?

a propósito deste infame post, tenho de esclarecer o seguinte:

1) o vitória não era meu. nem poderia. era do clube. eu fui um fiel depositário do bicho.

2) sucede que o bicho, por alturas de 81/82 começou a frequentar com regularidade o patamar da minha escada. lembro-me perfeitamente, durante o mundial de espanha, após os jogos, eu tinha de o ir levar ao sô zé do campo (que deus tem) porque se não ele não arredava pé.

3) no outono desse ano, muito friorento e chuvoso, com a anuência do sô zé do campo (que deus tem) e da dona alice do campo, decidimos abrir-lhe as portas da nossa casa.

4) o bicho era alimentado, pela minha mãe, eu dava-lhe banho e catava-lhe a bicheza, nós é que o levávamos à vacinação, perdoavamos-lhe as quecas que dava à cadela do cara-de-homem, morreu nos meus braços ali pelas redondezas da rotunda das olaias e tu vens-me com merdas sobre a propriedade do bicho. é claro que com estas acções todas eu posso dizer que também era meu. ok?

5) a pergunta que se impõe é a seguinte: é mais importante destacar a propriedade (ou não) do animal ou a qualidade de vida que a família jaime deu à mais querida mascote do clube (pronto, ok, em pé de igualdade com a cajoca - a mãe, entenda-se!) no outono e inverno da sua vida canina - com capa de calfe (atenção que era forrada a carneira sintética) e tudo?

6) olha, olha, apanham-me num dia bom, apanham!

Abaixo a Revolução

Há uns meses atrás, lembrei-me de alvitrar ao Dar Braxton:
- Epá, e se fizéssemos um blog para falar das cenas lá do bairro. Primeiro arrancávamos e depois convidávamos o Port e o Waick para se juntarem a nós. O que é que achas?

Com inusitado carinho, o Dar pegou na empreitada e do princípio ao fim (que venha longe), tratou de criar este canto. Ou não se fosse ele o dono do efémero bar.

Mais tarde, o Port (para nossa emoção) juntou-se à casa. E, passadas umas semanas, tivemos o prazer de ver o Waick a entrar-nos pelas portas adentro.

O Dar emprestou-nos a sua prodigiosa memória e o Port a sua nobre presença patriarcal. Mas quando chegou o Waick, chegou o humor selvagem que o amigo Zé Gonçalves definiria como ninguém.

Só que hoje, ao olhar para o perfil do blog (ou blogue ou blogo, ou o que os amigos preferirem), percebi que o amigo Waick Banan saiu do Bar. Cada um tem a sua vida e aqui não se fazem perguntas.

Mas este Bar, amigo Waick, é de todos os quatro. Não é só seu. Portanto, se foi você que o convidou, trate de desconvidar o PEDRO OLIVEIRA que você decidiu juntar ao grupo.

É que, meu amigo, isto não é a Libéria. O Poder ainda não caiu na rua. Ou você se compõe ou o Dar (ele já ameaçou) risca a sua cara do desenho.

Semi-parafraseando o amigo Port, deixe-se lá de paneleirices.

Mostrem-me a Acta!

Car'amigo Dar,

Deixe que lhe diga que entendo a sua frustração. Não se põe assim em cheque tão vetusta personalidade do bairro. Se tivessem lançado um concurso para o Segundo Cão Mais Mediático do Bairro da Picheleira (Zona Velha), ainda se admitia. Agora, equiparar o Vitória ao Poli é mais do que suficiente razão para o seu protesto.

Tenho, contudo, para mim, que a sua resposta tem uma razão escondida. Não será porque havia um cigano do bairro que o tratava a si por Vitória e não pelo seu nome de baptismo? É que assim, mais do que uma ofensa ao seu animal, estão a ofendê-lo pessoalmente. Cá para mim, inclino-me para este argumento.

Por outro lado, e na esperança que a nossa amizade não saia perturbada, tenho-lhe a dizer o que me anda engasgado há anos:

Quem é que lhe deu o Vitória?

Quem é que tinha o poder de o fazer, sabendo-se que o cão pertencia ao CLUBE?

Foi essa transação sufragada em Assembleia Geral?

Ou, pelo menos, lavrada em acta de reunião de direcção?

Assim, digo-lhe sem que haja razão de dúvida: o cão Vitória, meu querido amigo, era tanto meu como seu.

Sei que não lhe aturei a flatulência (a do cão), nem lhe deitei comida na malga. Mas, olhe, pelo menos, também nunca o embarretei numa capa de calfe.

tenho de me chatear, tenho!

Sobre este post tenho a dizer o seguinte:

1) quem é que se lembra de colocar em causa o poder mediático do meu cão?

2) eu relembro o seguinte: o meu cão era guarda dumas instalações desportivas, era mascote da maior agremiação da freguesia e era adorado por todos os associados dessa instituição de utilidade pública - recebia torresmos directamente do talho do chitas.

3) um dia na sede, o vitória deu uma mijadela na perna duma mesa de jogo, lá do primeiro andar. o olho peixe-espada queria dar-lhe um safanão. então o greno levantou-lhe a voz e disse-lhe: ó olho, esse mija onde entender. vai mas é buscar a esfregona e limpa lá a mijadela.

4) esclareci a coisa ou não?

5) (esta foto demonstra a cartonância do meu bicho. quantos cães na picheleira tinha uma capa de super-herói, assim, em calfe?


Cão mais "mediático"

Como tenho achado o Bar, um bocado pó parado, (deve ser do Natal) gostaria agora de propôr um inquérito aos demais companheiros :

“Qual o cão mais mediático do bairro?

a) Vitória – bonito rafeiro, entregue aos cuidados de Dar, já numa fase em que andava um bocado afanado, que o beijava como se de um irmão se tratasse;

b) Bejagó – outro bonito rafeiro, pertença de uma senhora que não me lembro agora do nome, mas que morava no prédio americano, mesmo ao lado da loja de Dar;

c) King – esse pastor alemão que me assustava à brava, cada vez que passava em frente à oficina do Horácio.

Aceitam-se mais nomeados, que possa ter esquecido por lapso...
Um abraço Waickiano para os demais.




Google Docs & Spreadsheets -- Web word processing and spreadsheets. Edit this page (if you have permission) | Report spam