Bar do Justo


O Estomatologista Acidental

Recuperando a memória de José Sebastião da Silva, dito o Cô por uns e Sabastião pelos amigos, vem-me à luz uma conversa a que assisti junto com um amigo.

Podia ter sido coisa de teatro de revista, mas passou-se na Secretaria do Clube.

O Baptista entrou a arfar, carregando o peso de 90 kilos trazidos escada acima. Vai o Cô e virou-se para um terceiro que ali estava presente:
- Calha bem ter aparecido o Baptista. Se há gajo que percebe destas coisas, é ele.

O outro (de quem esconderemos o nome por razões que se tornarão óbvias) encolheu os ombros, enquanto contava fichas médicas de jogadores da bola. Então o Cô retornou:
- Epá, sabes qu'este gajo agora apareceu-lhe uma fistúla numa engive. Anda p'aí cheio de dores e nem sabe o que fazer.

Então o Baptista, que primava por conseguir meter asneiras num Pai Nosso, arvorou-se de dentista e largou de primeira:
- É parar co'os broches. Se o gajo deixar de fazer broches, não lhe aparecem essas merdas na boca.

Na mesa coberta com um calendário de cartão riscado, o outro parou de contar fichas médicas. Mas conta a história que com os maus hábitos ele nunca pararia.

E nada mais digo.



2 Responses to “O Estomatologista Acidental”

  1. # Anonymous Portridge

    Esse Baptista era um gajo calmeirão? Era um ordinarão de primeira: capaz de meter asneiras num Pai Nosso é tal e qual eu me lembro. Ele tinha não tinha uma filha? Acho que se chamava a filha do Baptista. Ou estarei a fazer confusão...?  

  2. # Anonymous Seth

    Em circuito fechado posso dizer-te quem era o Baptista. Mas sim, é verdade que lhe conheces a descendência. Talvez não a que penses, mas conhece-la.

    Abraço  

Enviar um comentário



Google Docs & Spreadsheets -- Web word processing and spreadsheets. Edit this page (if you have permission) | Report spam